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Bebês geneticamente editados: questões éticas e avanços científicos

06/12/2018 - 09:57

Desde que a tecnologia de edição genética CRISPR ficou sob os holofotes em 2012, muitos se questionam se não veremos em breve humanos geneticamente modificados.

 

A CRISPR usa “tesouras moleculares” para alterar uma parte específica do DNA, por meio do corte, substituição ou modificação dos genes. Considera-se que ela revolucionou a área porque nunca antes o código genético foi tão facilmente reescrito ou editado.

 

Em novembro deste ano, o professor He Jiankui chocou a comunidade científca ao declarar que removeu uma proteína do DNA dos embriões de duas irmãs gêmeas para impedir que elas contraíssem o vírus HIV. Segundo ele, Nana e Lulu nasceram saudáveis. He diz que conduziu seu trabalho na proteína CCR5 sem o conhecimento da universidade em que leciona, a Southern University of Science and Technology, em Shenzen. Seus estudos envolveram oito casais, cada um deles com um pai HIV positivo e uma mãe HIV negativo.

 

Centenas de questionamentos éticos foram levantados após o anúncio dos bebes editados, ele ainda não providenciou evidência científica de seu achado, e sua universidade planeja investigá-lo por violações acadêmicas.

 

Mas, se os resultados divulgados pelo cientista forem confirmados, o experimento pode virar um marco científico – e provocar profundos debates éticos.

 

O que esperar para as gerações futuras???

 

A esperança é que a edição genética de “linhagem germinativa” – a modificação do DNA de um embrião que pode virar uma pessoa – pode consertar mutações genéticas e impedir doenças debilitadoras antes que sejam passadas adiante.

 

 

Muitos pesquisadores demonstram que falta ainda compreender a metodologia a fundo

“A edição genética é experimental e ainda é associada com mutações capazes de causar problemas genéticos no começo ou no fim da vida, incluindo o desenvolvimento de câncer”, diz Savulescu.

 

“Sabemos muito pouco sobre os efeitos a longo prazo, e a maioria das pessoas concorda que experimentos em humanos que poderíamos evitar, conduzidos só com o objetivo de melhorar nosso conhecimento, é moralmente e eticamente inaceitável”, diz Yalda Jamshidi, especialista em genética humana na Universidade St. George’s, em Londres.

 

Fonte:

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2018/11/30/o-dilema-etico-envolvendo-a-criacao-de-bebes-geneticamente-editados.ghtml

https://www.nature.com/articles/d41586-018-07607-3