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DIA MUNDIAL DA TROMBOSE – 13 DE OUTUBRO

14/10/2019 - 20:38

Neste próximo dia 13, é o Dia Mundial da Trombose para chamar a atenção da população mundial sobre essa condição que é mortal, mas pode ser evitável.

A trombose é responsável pela morte de uma em cada quatro pessoas no mundo, é o que indicam os dados da ISTH (International Society on Thrombosis and Haemostasis).

 

Segundo dados do SUS, entre 2008 e 2010, a trombose foi responsável por 85,772 internações em âmbito nacional e por uma taxa de mortalidade de 2,38%. 

Mas, pouco a população ainda sabe a respeito. Em pesquisa realizada pelo IBOPE em 2010, apenas 56% dos entrevistados sabiam sobre trombose e, deste número, apenas 57% conheciam os sintomas e as consequências da doença.

A trombose consiste na formação ou desenvolvimento de um “trombo”, que é um coágulo sanguíneo, que acontece mais frequentemente nas veias das pernas e coxas, responsável por causar uma inflamação na parede do vaso.

O trombo que é formado no interior das veias intramusculares, caracteriza-se por trombose do tipo venosa profunda (TVP). Estes coágulos podem se deslocar e migrar até os pulmões e ocasionar a temida embolia pulmonar (TEP), que representa alto risco de morte. Além das dores e da rigidez na musculatura, outro sintoma comum é o inchaço na perna afetada, com sensação de queimação na região afetada. Mudanças na cor da pele também ocorrem, podendo variar de uma cor avermelhada a um pouco azulada, arroxeada.

Os fatores de risco para a trombose incluem a obesidade, hospitalizações prolongadas, idade mais avançada, tabagismo, imobilidade, uso de contraceptivos hormonais, cirurgias, principalmente as ortopédicas, doentes oncológicos, colesterol não controlado, consumo excessivo de álcool e a gestação onde o elevado risco de abortos aumenta.

A predisposição genética também faz parte destes fatores de risco, como presença da mutação do Fator V de Leiden e/ou presença da mutação do gene da protrombina.

Aumentos de alguns fatores de coagulação como Fator VIII ou Fator IX, assim como Homocisteínemia alta ou presença de Anticoagulante Lúpico também colaboram para um risco trombótico maior que na população em geral. À presença de fatores de risco no sangue, é chamada de “Trombofilia”.

 

Uma história familiar positiva para evento de trombose é primordial para que os familiares sejam avaliados, pelo menos do ponto de vista de uma anamnese médica, para indicação ou não da investigação sanguínea destes fatores.

 

As trombofilias podem ser divididas em hereditárias ou adquiridas. As trombofilias adquiridas são representadas pela parte imunológica e, também muito agregadas ao estilo ou fases da vida da pessoa. Por exemplo, idade avançada, sedentarismo, uso de medicação quimioterápica, a gestação, o puerpério, etc..

 

Apesar dos protocolos mundiais terem um posicionamento resistente a investigação de rotina do risco de trombofilia nos pacientes em geral (inclusive nas mulheres que iniciarão uso de contraceptivos hormonais ou, no outro extremo da vida, as que farão reposição hormonal-TRH), a gravidade da trombose mostra dados alarmantes de prevalência, como os citados no início deste artigo.

 

Somos favoráveis, que em rotinas tão bem estabelecidas de check up (controle de glicemia e colesterol, etc.), pacientes sob condições sabidamente “trombogênicas”, também deveriam ter direito a esta investigação, sem ferir guidelines ou orçamentos laboratoriais, em relação, inclusive, ao custo destes exames, pois, a medicina deve ser prevalentemente preventiva.

Por fim, o tratamento tradicional visa evitar a progressão do trombo pela corrente sanguínea e pode ser baseado tanto em terapêutica clínica com medicações anticoagulantes (antitrombóticas), meias de compressão elástica e, eventualmente, fibrinólise (procedimentos médicos para desfazer o coágulo com drogas específicas).

O tratamento na fase aguda é muito importante e ajuda a evitar sequelas no futuro.

 

Fonte: Dra. Regina Biasoli  – Hematologista RDO