Imunologia da Reprodução Humana

Nova especialidade contribui com a Reprodução Humana, auxiliando casais com perdas gestacionais repetidas, aborto recorrente ou falhas em ciclos de FIV.

1162-bx

A imunologia da reprodução humana investiga as principais causas da infertilidade por meio de exames específicos e avaliação da integridade do DNA espermático

Durante milhares de anos, a reprodução foi um verdadeiro enigma para a humanidade e para a ciência. Os filhos eram consequência da união entre um homem e uma mulher. Quando não acontecia o esperado, a mulher era culpada e ponto final.

O enigma começou a ser decifrado em 1978, com o nascimento da inglesinha Louise Brown. O acontecimento se tornou um marco e um divisor de águas para a Reprodução Humana, uma das áreas da medicina contemporânea que mais evoluiu no último século. Avanços técnicos e tecnológicos possibilitaram a realização do sonho da maternidade para milhares de pessoas. Hoje, a maioria dos casais consegue realizar o sonho de ter um bebê graças a essa evolução. No mundo, são mais de 3 milhões e só no Brasil, mais de 30 mil bebês gerados por meio de técnicas de Reprodução Assistida.

Entretanto, como a ciência é dinâmica, o conhecimento gera novas questões e desafios, como o papel do sistema imunológico na reprodução.

Há muito tempo sabe-se que para ter uma gravidez é necessário que o embrião, até então um corpo estranho ao útero, seja reconhecido imunologicamente, evitando assim ser atacado pelas defesas do corpo. Livros muitos antigos chegavam a fazer referência à gravidez como um processo “alérgico”.

O sistema imunológico está sempre “de prontidão” para atacar e destruir tudo o que não faz parte do nosso organismo – seja uma bactéria, seja uma célula tumoral. Normalmente, o embrião é um caso à parte, e a gravidez é um milagre no contexto da guerra imunológica. Mesmo sendo um “corpo estranho” ao sistema imunológico da mulher, as células do embrião são acolhidas e alimentadas, gestando um novo ser humano. Para que isso aconteça, é necessário que o sistema imunológico da mulher reconheça o hóspede. Pequenas alterações no sistema imunológico podem resultar em fracasso da gestação.

Estudos demonstram que 84% das pacientes com duas ou mais falhas de implantação
em processos de Fertilização In vitro (FIV) e 98% daquelas com abortamentos de repetição
apresentaram algum tipo de problema imunológico.

As causas da infertilidade também podem ser genéticas.

As causas da infertilidade também podem ser genéticas. (Crédito: Freepik)

Basicamente o fator imunológico em Reprodução Humana apresenta-se em três formas distintas: a autoimunidade, a trombofilia e a aloimunidade. Na autoimunidade o corpo da mãe “ataca” o embrião através de autoanticorpos, causando intenso processo inflamatório ao nível placentário e/ou fetal. Na trombofilia existem fatores congênitos ou adquiridos que provocam alterações na coagulação sanguínea, levando a alterações na nutrição do embrião, ou mesmo de forma direta impedindo a sua implantação. Por fim, na aloimunidade as características celulares do casal são muito similares, levando à formação de um embrião com características similares às da mãe, ocasionando uma dificuldade no reconhecimento imune do mesmo.

A boa notícia é que a infertilidade de causa imunológica já pode ser tratada e casais que queiram ter um filho podem obter uma avaliação e tratamentos corretos. A Imunologia da Reprodução é uma nova especialidade médica que contribui com a área da Reprodução Humana e que busca auxiliar casais com perdas gestacionais repetidas, aborto recorrente, falhas em ciclos de fertilização in vitro (FIV) ou mesmo aqueles casais anteriormente enquadrados como “Infertilidade sem Causa Aparente” (ISCA). A abordagem consiste em investigar as principais causas, através de exames de sangue do casal e a avaliação da integridade do DNA espermático.

Além das causas imunológicas, destacamos, quando existe a necessidade de investigar as causas genéticas, infecciosas, anatômicas e hormonais, que também podem contribuir para a falha de implantação ou perda da gravidez.

Dr. Ricardo M. de Oliveira

Dúvidas? Entre em contato diretamente com nossa Equipe Médica.