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Imunologista aponta cuidados para evitar abortos recorrentes

10/01/2017 - 02:27

casal parceria família

Check up da fertilidade do casal investiga se perda repetitiva da gestação pode estar relacionada a fatores genéticos, infecciosos, hormonais, comportamentais e imunológicos; Chances de casal concretizar a gravidez são de apenas 30% a cada ciclo (Foto: Pexels)

O sonho de constituir uma família pode esbarrar em problemas de fertilidade muitas vezes desconhecidos pelos casais e são classificados, erroneamente, como “infertilidade sem causa aparente” (ISCA). O abortamento acomete sete em cada 10 mulheres que tentam engravidar, sendo que seis apresentam a perda antes da menstruação, achando, portanto, que não engravidam. Em 98% dos casos as mulheres não conseguem levar a gestação até o fim devido a um único motivo: alterações em seu sistema imunológico.

“Há sempre uma causa para infertilidade, que pode ser investigada e tratada com mais de 90% de êxito. O casal que pretende engravidar deve fazer um check up de fertilidade, ou seja, perfil genético e possíveis alterações imunológicas que podem impedir o estabelecimento e/ou o avanço da gestação”, enfatiza Dr. Ricardo de Oliveira, imunologista especializado em reprodução humana, diretor médico e fundador do RDO Diagnósticos Médicos.

Nas últimas décadas, os aspectos imunológicos – anteriormente classificados como infertilidade sem causa aparente, têm sido cada vez mais pesquisados. Os estudos mostram que o problema pode aparecer de três formas: autoimunidade (anticorpos do próprio organismo impedem o avanço da gestação), trombofilias (propensão a desenvolver trombose) e aloimunidade (diferença genética entre o embrião e a mãe).

Afinal, o que a imunologia tem a ver com a infertilidade feminina? “Tudo”, enfatiza Dr. Oliveira.“O sistema imune está sempre de “prontidão” para atacar e destruir tudo o que não faz parte do nosso organismo. Quando em determinadas situações o corpo da mulher rejeita o feto, é a resposta de seu sistema imunológico àquele corpo estranho”.

Quanto mais incompatibilidade genética melhor – A gestação é formada pela junção de partes dos componentes genéticos do homem e da mulher. O feto formado terá uma constituição imunológica diferente do pai e da mãe. O sistema imune materno reconhece esta carga genética diferente e produz os chamados anticorpos bloqueadores, que modificam o sistema imune, garantindo uma gravidez bem-sucedida.

No entanto, para que isso ocorra, o ideal é que o casal seja incompatível entre si, do ponto de vista genético. “Os maiores índices de abortos recorrentes ocorrem em países como Japão e Israel, e atualmente também a China, justamente pelo fato de predominar a união entre casais da mesma nacionalidade, com perfil genético similar”, explica Dr. Oliveira.

A importância do check-up pré-gestacional

Para evitar a ocorrência da ISCA devemos antes de engravidar realizar exames específicos para avaliar a fertilidade do casal, visando a diagnosticar e tratar qualquer que seja o problema.

“A abordagem consiste em investigar as causas através de exames de sangue do casal e a avaliação da integridade do DNA espermático, bem como a Histeroscopia Diagnóstica. Causas genéticas, infecciosas e hormonais, por serem fatores que podem levar a infertilidade, também são analisadas”.