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EUA pedem investigação das causas da infertilidade antes de tratamento

17/03/2017 - 18:31

As últimas diretrizes do American College of Obstetricians and Gynecologists pedem que, antes que os casais recorram a técnicas de reprodução assistida, as causas da infertilidade sejam investigadas meticulosamente.

Isso porque, apesar de terem tornado possível a gravidez para muitos casais inférteis, essas tecnologias estão associadas ao aumento dos riscos perinatais, afirma a entidade americana.

Infertilidade sem causa?

“Há alterações maternas que podem levar a gestações de risco e não foram devidamente investigadas. Muito do que se chama hoje de infertilidade sem causa aparente na verdade é infertilidade sem causa conhecida, porque os motivos não foram olhados com cuidado.

Dr. Ricardo de Oliveira, diretor médico do RDO Diagnósticos

O uso de técnicas como a fertilização in vitro (FIV) eleva o risco de gestações múltiplas, que por sua vez elevam os riscos de partos prematuros, pré-eclampsia, baixo peso no nascimento e sequelas do sistema nervoso.

No Brasil, as regras permitem a transferência de até dois embriões para pacientes com até 35 anos, até três para mulheres com idade entre 36 e 39 e até quatro para pacientes
com 40 anos ou mais.

No entanto, mesmo gestações únicas de fertilização in vitro apresentam riscos maiores do que gestações naturais, segundo o texto da entidade. Não está claro se essa associação pode estar ligada às causas de infertilidade que, no fim, levaram os casais a se submeterem à reprodução assistida.

“Há alterações maternas que podem levar a gestações de risco e não foram devidamente investigadas. Muito do que se chama hoje de infertilidade sem causa aparente na verdade é infertilidade sem causa conhecida, porque os motivos não foram olhados com cuidado. A mulher pode até engravidar depois com a FIV, mas problemas como pré-eclampsia e baixo peso do bebê podem surgir. O colégio americano de obstetras e ginecologistas está pedindo essa investigação rigorosa porque são eles que lidarão com as consequências”, afirma Ricardo de Oliveira, diretor médico e fundador do RDO Diagnósticos.

“A FIV é um procedimento importante na reprodução, mas precisa ser usada com parcimônia”, diz ele.

As diretrizes americanas pedem também que os pais sejam informados dos riscos do tratamento, que qualquer problema de saúde materna ou condições hereditárias sejam abordados, principalmente se forem ligados às causas da infertilidade, e que o casal seja aconselhado sobre problemas genéticos que podem ser passados aos filhos.

Fonte: Folha de S.Paulo