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SUS fará exame de trombofilia para mulheres em São Paulo

05/04/2017 - 09:44

Um dos pioneiros do estudo da doença no país, o imunologista Ricardo de Oliveira fala da importância do exame para detectar a doença que pode causar trombose e infertilidade

As mulheres ganharam em São Paulo o direito de fazer exame e tratamento da trombofilia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na rede pública municipal. Lei que entrou em vigor no final do ano passado prevê o atendimento para a investigação e tratamento da doença que atinge 20% da população feminina. “O exame é fundamental em todas as fases da vida da mulher. Da adolescência, antes de o médico fazer a prescrição de um anticoncepcional, passando pelo pré-natal, até a menopausa, na avaliação de reposição hormonal”, afirma o imunologista Ricardo de Oliveira, um dos pioneiros do estudo da doença no país e diretor médico do RDO Diagnósticos Médicos.

A trombofilia é uma propensão a desenvolver coágulos no sangue, que podem causar trombose nas veias e/ou artérias, embolia pulmonar, trombose cerebral, e infarto. Pode ser adquirida ou hereditária e está relacionada também às causas de infertilidade, como abortos de repetição, e complicações na gravidez como a pré-eclâmpsia. Os hormônios da pílula ou da reposição podem potencializar os riscos. O problema é que, em mais de 90% dos casos, as mulheres não sabem que têm predisposição genética ou adquirida à doença.

Na adolescência

Uma pessoa com o gene portador da trombofilia tem risco potencializado de trombose quando usa anticoncepcional. Para evitar esses efeitos adversos, o Dr. Ricardo de Oliveira defende a exigência do exame que mostra com precisão as mutações genéticas que predispõem à trombofilia. “Toda adolescente deveria fazer o exame, para que o médico tivesse um diagnóstico preciso ao prescrever o tipo correto de anticoncepcional sem riscos a paciente”, explica o diretor médico do RDO, que tem um histórico de mais de 20.000 exames realizados.

Na gestação

Nesta fase, o sangue fica mais predisposto a coagular, o que aumenta o risco de entupimento de veias e artérias quando há predisposição. “Os coágulos podem diminuir o fluxo sanguíneo e, consequentemente, a oxigenação dos tecidos, o que é fundamental tanto para que o embrião se fixe no útero, quanto para o seu desenvolvimento”, afirma o Dr. Ricardo. Por isso, o exame é importante para diagnosticar o problema e, assim, iniciar o tratamento, evitando complicações na gravidez como o aborto recorrente, óbito fetal e pré-eclampsia.

Na menopausa

O risco de trombose é um dos efeitos colaterais mais perigosos para quem faz reposição hormonal, principalmente para as pessoas que têm a trombofilia. Os tombos afetam a circulação e podem elevar os riscos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), infarto, embolia pulmonar, entre outros. Por isso, a importância do exame antes de receitar a terapia com hormônios.

Exame genético

O exame feito a partir de uma amostra de sangue detecta a mutação do gene do fator V (Leiden), mutação do gene do fator II (Protrombina) e Anticorpos Antifosfolipides. “O tratamento mais comum é feito com os fármacos anticoagulantes, que detêm tanto a formação de trombos nos vasos sanguíneos como o crescimento dos já existentes, mas não podem dissolver os já formados”, esclarece Dr. Ricardo de Oliveira.

Segundo o imunologista do RDO, aproximadamente 90% das pessoas tratadas conseguem evitar os problemas. Para a investigação e tratamento da trombofilia, o RDO criou o “painel de trombofilias” – um grupo de exames voltados para investigação do risco relacionado às doenças trombogênicas herdadas ou adquiridas.