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Tireoidite aumenta em até 3 vezes riscos de aborto espontâneo

27/04/2017 - 19:56

Doença autoimune, que ataca a glândula da tireoide, provoca inflamação na placenta levando ao aborto espontâneo de repetição. Estima-se que de 4% a 8,5% da população feminina sofram com problemas de tireoidite; imunologista Dr. Ricardo de Oliveira alerta sobre a importância de exames antes de planejar uma gravidez

O sistema endócrino é uma das principais redes de comunicação do corpo e controla inúmeras funções. Se algo vai mal, compromete a produção dos hormônios tireoidianos T3e T4, fundamentais para a vida reprodutiva saudável das mulheres. Estima-se que entre 4% e 8,5% da população feminina sofram com problemas de tireoidite, sem sintomas aparentes – doença autoimune que provoca uma inflamação na glândula da tireoide. A longo prazo, a inflamação, que pode ser aguda, subaguda ou crônica, acomete as funções vitais da tireoide.

Desequilíbrio no aparelho reprodutor, alterações menstruais, interferência nos hormônios sexuais, dificuldade de ovulação são os sintomas mais comuns entre as pacientes diagnosticadas com o problema. “Dos demais distúrbios provocados pelo excesso ou pela carência de hormônios tireoidianos, a infertilidade e o aborto espontâneo são os mais fáceis de identificar e tratar”, explica o imunologista Ricardo de Oliveira, diretor médico do RDO Diagnósticos Médicos. “Sem hormônios suficientes, o risco de ocorrer um aborto espontâneo aumenta em até três vezes”, afirma.

A situação é tão comum que, anualmente, o Brasil registra cerca de 2 milhões de casos de abortos espontâneos de repetição. A grande maioria das mulheres nestas condições apresenta duas ou mais causas imunológicas. O mais frequente, no entanto, é a tireoidite autoimune. “A doença favorece a ocorrência de ovários policísticos, em algumas mulheres, condição que também compromete sua fertilidade”, diz. Embora ainda não se saiba o mecanismo, a tireoidite aumenta o risco de deslocamento da placenta, do parto prematuro, do estresse fetal e da mortalidade intrauterina.

Antes, um check-up
Uma gama de exames faz parte do pacote de pré-natal. As futuras mamães sabem que, se atentar a alguns pequenos cuidados antes de engravidar, é garantia de saúde e bem-estar. A gravidez é, naturalmente, um fator de estresse para a tireoide, porque a glândula precisa fabricar até 50% mais hormônios para dar conta tanto da mãe quanto do bebê. “Por isso, incluir na rotina exames de dosagem dos hormônios e anticorpos tireoidianos é de extrema importância para detectar qualquer disfunção da glândula a tempo”, orienta Dr. Oliveira.

“Basta um exame de sangue simples. Com ele, é possível medir os níveis dos hormônios T3 e T4”, comenta o imunologista. Juntos, esses resultados definem se a glândula está funcionando normalmente ou não. “Mulheres com idade superior a 30 anos, história familiar de hipotireoidismo, doenças autoimunes, as submetidas à radiação cervical ou que apresentam sintomas claros de hipotireoidismo integram o grupo de risco e merecem atenção e acompanhamento médico frequentes”, destaca o médico.

Se confirmado o diagnóstico, o tratamento é feito à base de hormônios sintéticos. Somente quando a doença estiver sob controle é que a mulher pode engravidar. “O tratamento feito antes da gravidez, diminui os riscos de aborto espontâneo e de parto prematuro. As complicações podem surgir em mulheres que não se submeteram a qualquer tipo de tratamento durante as primeiras 18 semanas de gestação, período em que o feto ainda depende dos hormônios da mãe”, exemplifica.